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Janeiro Branco destaca a relevância de identificar e compreender crises emocionais.

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Os primeiros socorros psicológicos podem oferecer suporte essencial em momentos de extrema ansiedade e episódios de nico. Um exemplo ilustrativo é o caso de Clara (nome fictício), uma jovem de 29 anos, que, durante o expediente de trabalho, sofreu uma intensa crise emocional. Subitamente, ela começou a tremer, apresentou dificuldade para respirar e acabou irrompendo em lágrimas. Diante dessa situação, seus colegas se encontraram despreparados, sem saber ao certo como agir. Felizmente, uma colega teve a sensibilidade de conduzi-la a um espaço mais tranquilo, orientando-a a respirar devagar enquanto permanecia ao lado dela até que voltasse a se acalmar. Posteriormente, Clara refletiu sobre o ocorrido e destacou a importância da atitude da colega: "Se ela não tivesse parado tudo para me ajudar, eu não sei o que teria acontecido; senti que ia desmaiar." Apesar dos sintomas alarmantes que pareciam indicar algo grave como um infarto, tratava-se de uma crise de ansiedade, hoje reconhecida como uma das emergências emocionais mais frequentes.

Durante o Janeiro Branco, uma campanha destinada a estimular a conscientização sobre saúde mental ao longo do primeiro mês do ano, óros como a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamam atenção para os altos índices de transtornos de ansiedade no Brasil, que ocupa um dos primeiros lugares no ranking mundial. Este movimento foi batizado de Janeiro Branco, inspirado pela simbologia da "folha em branco", que representa a oportunidade de repensar escolhas de vida e ressignificar emoções.

Campanha Janeiro Branco acende o alerta sobre a importância de refletir sobre a saúde emocional | Fotos: Divulgação/IgesDF

A iniciativa do Janeiro Branco nasceu de uma preocupação crescente entre psicólogos brasileiros diante do aumento exponencial de casos de ansiedade, depressão e estresse. Além disso, buscava-se romper o estigma e o silêncio que ainda pairam sobre as questões relacionadas à saúde mental. A mensagem central da campanha reforça que cuidar da mente é o importante quanto manter o corpo saudável. Organizações internacionais como a OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) também têm destacado a necessidade urgente de priorizar a saúde emocional nas políticas públicas.

No contexto global pós-pandemia, os impactos no bem-estar emocional têm sido especialmente notáveis. Serviços voltados à saúde, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), vêm registrando um aumento expressivo na procura por suporte em decorrência de crises emocionais agudas.

De acordo com Igor Santiago Almeida, psicólogo especializado em saúde mental do adulto no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), esse crescimento possui múltiplos fatores desencadeantes. "A pandemia de covid-19 desempenhou um papel significativo como catalisador, agravando vulnerabilidades pré-existentes e gerando novas fontes de estresse", ressalta o especialista. Ele também esclarece que o fechamento temporário de muitos serviços voltados à saúde mental durante os períodos mais críticos da pandemia dificultou o acesso das pessoas ao suporte necessário justamente no momento em que eram mais vulneráveis e necessitavam de maior amparo.
Essas informações sublinham a essencialidade de ampliar as discussões e iniciativas relacionadas à saúde emocional, assim como garantir recursos acessíveis para o atendimento psicológico emergencial e contínuo. A promoção desse cuidado é fundamental não apenas para prevenir quadros agudos, mas também para fortalecer a capacidade das pessoas em lidar com os desafios cotidianos da vida moderna. A busca por equilíbrio mental deve ser reconhecida como um direito e uma prioridade para todos.

Uma crise psicológica é um estado de intenso desequilíbrio emocional, psíquico e comportamental, onde a capacidade de enfrentamento da pessoa se torna insuficiente. Manifesta-se em crises de pânico, agravamento de ansiedade ou depressão, ou até crises suicidas.

Sinais comuns incluem respiração acelerada, taquicardia, tremores, sudorese, tontura, dor ou pressão no peito, formigamento nas os, choro intenso, confusão mental e pensamentos catastróficos. A sensação de perda de controle ou medo extremo pode levar a acreditar em problemas sicos graves.

Primeiros socorros psicológicos (PSPs) são intervenções rápidas para aliviar o impacto emocional inicial e facilitar o encaminhamento adequado. Entender como agir em crises pode salvar vidas.

Para ajudar:

- Mantenha a calma e ofereça apoio dizendo estou aqui com você”.
- Reduza estímulos levando a pessoa a um local tranquilo.
- Oriente respirações lentas e profundas.
- Escute ativamente, sem críticas ou interrupções.
- Valide o sofrimento com frases como “vejo que você está sofrendo”.
- Reforce a conexão com o presente falando sobre objetos ou sensações ao redor.

Evite minimizar o problema, repetir “calma” de forma agressiva, pressionar para falar ou tomar decisões, dar conselhos não solicitados, mostrar irritação ou tocar sem consentimento. Essas ações invalidam o sofrimento e agravam o quadro.

A crise exige atendimento médico imediato se houver risco iminente, ideias suicidas, confusão mental severa, delírios ou ameaça de lesões. Nesses casos, busque ajuda pelo Samu (192), unidades de urncia, Caps ou CVV (188).

Além das crises agudas, é importante ficar atento ao isolamento excessivo, irritabilidade, fadiga constante, alterações no sono ou alimentação, descuido pessoal e aumento no consumo de álcool ou outras substâncias. Esses sinais indicam esgotamento emocional e precisam de atenção.

Prevenir agravamentos envolve reconhecer os primeiros sinais, buscar ajuda cedo, fortalecer vínculos e cultivar hábitos saudáveis. Crises emocionais são respostas legítimas a sofrimentos extremos e devem ser vistas como questões de saúde, não como fraqueza.

Da redação do Portal de Notícias Ritmo Cultural