A tecnologia e a análise de dados são aliados no combate à violência doméstica no DF | Fotos: Divulgação/SSP-DF A proteção das mulheres é um...
A tecnologia e a análise de dados são aliados no combate à violência doméstica no DF | Fotos: Divulgação/SSP-DF
A proteção das mulheres é uma das principais prioridades e práticas contínuas da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). Em março, mês dedicado à valorização, à visibilidade e aos direitos das mulheres, a secretaria destacou um conjunto de ações fortalecidas dentro do programa Segurança Integral. Essas iniciativas focam na prevenção de riscos, no acolhimento às vítimas, na resposta imediata em situações de perigo e na promoção da representatividade feminina nas instituições que formam o sistema de segurança pública.
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, enfatiza que a abordagem adotada é abrangente e integrada. Vai desde o atendimento especializado em delegacias e policiamento voltado ao combate à violência doméstica até o monitoramento em tempo real de vítimas e agressores, a capacitação contínua dos profissionais de segurança, parcerias com a sociedade civil e o setor privado, além de políticas internas para ampliar a presença feminina em posições de gestão e decisão.
Ele destaca que o enfrentamento à violência contra a mulher não é uma medida isolada, mas se trata de um eixo central da política pública de segurança no Distrito Federal. Segundo o secretário, proteger as mulheres é uma prioridade e demanda esforços constantes, articulados e cada dia mais qualificados. Há investimentos robustos em tecnologia, acolhimento, prevenção, formação e alianças institucionais com o propósito de oferecer respostas rápidas, salvar vidas e romper o ciclo da violência. O objetivo é construir uma política pública moderna, acolhedora e eficiente, para que nenhuma mulher se sinta desamparada diante da violência.
As ações de proteção e acolhimento se concretizam por meio de uma rede estruturada que engloba tanto os esforços da própria SSP-DF quanto a colaboração entre diferentes forças de segurança – como Polícia Militar (PMDF), Polícia Civil (PCDF) e Corpo de Bombeiros (CBMDF) – além do Detran-DF, o sistema judiciário, diversas secretarias parceiras, lideranças comunitárias, a iniciativa privada e a sociedade civil. Todos compartilham um único objetivo: prevenir a violência de gênero e aumentar a proteção das mulheres em todo o Distrito Federal.
Entre os recursos mais estratégicos da SSP-DF para proteção está o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP) e o aplicativo Viva Flor. No caso do DPP, as vítimas recebem um dispositivo de alerta, enquanto os agressores ficam obrigados a utilizar tornozeleiras eletrônicas. Ao violar a área de exclusão definida pela Justiça, o sistema emite um alerta imediato às forças de segurança. Atualmente, 627 pessoas estão sendo monitoradas; destas, 553 são vítimas e 74 são agressores.
A sala de operações do DPP, localizada no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), ampliou sua capacidade operacional com um aumento considerável no número de servidores e estações de monitoramento. Essa infraestrutura oferece mais agilidade no atendimento das ocorrências. Além disso, foi implantado um chat que conecta diretamente as vítimas à central em tempo real, permitindo envio de mensagens escritas, áudios e fotos.
O aplicativo Viva Flor também desempenha um papel fundamental ao oferecer às mulheres uma ferramenta ágil para acionar a rede de proteção em situações de ameaça ou perigo. Atualmente, 1.734 mulheres em todo o Distrito Federal são atendidas por esse dispositivo.
Em agosto de 2025, o programa Viva Flor foi expandido para delegacias circunscricionais. Antes funcionando apenas nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) na Asa Sul e em Ceilândia como projeto piloto, passou a ser implementado nas unidades do Paranoá, Planaltina, Gama, Santa Maria e Brazlândia. As localidades foram escolhidas com base nos índices de violência doméstica registrados nessas regiões e na necessidade de oferecer respostas imediatas às vítimas.
Além disso, em novembro de 2025, o Governo do Distrito Federal e o sistema judiciário renovaram o acordo de cooperação técnica do programa Viva Flor. Este passo representou avanços significativos na melhoria dos processos de atendimento, com maior integração entre as áreas de Justiça e Segurança Pública por meio da adoção do Processo Judicial Eletrônico (PJe). Isso impulsionou a celeridade na comunicação entre órgãos competentes e na análise dos casos das vítimas. A parceria também reforçou a atuação do Copom Mulher da Polícia Militar do Distrito Federal, fortalecendo ainda mais essa rede de proteção para as mulheres do DF.
Em agosto de 2025, a parceria entre a SSP-DF e a Uber Brasil foi ampliada para atender mulheres vítimas de violência doméstica. O benefício, antes exclusivo às Deams I e II, agora inclui os Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher (Nuiam) no Paranoá, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Vicente Pires. A iniciativa oferece um desconto de R$ 40 por corrida, através de códigos promocionais entregues após o atendimento, garantindo deslocamento seguro para casa, hospitais ou abrigos especializados e reforçando o apoio contínuo às vítimas.
A SSP-DF também tem investido em ações formativas e preventivas. O programa Aliança Protetiva capacita lideranças religiosas e sociais para combater a violência contra a mulher. Em 2025, 155 pessoas participaram de encontros regionais focados em prevenção, diálogo e apoio comunitário, alinhados ao programa Segurança Integral.
O curso Mulher Segura Prevenção da Violência e o Protocolo Por Todas Elas está em sua segunda edição e segue até março de 2025 no formato EAD. Realizado pela SSP-DF em parceria com outras secretarias e o Sebrae-DF, por meio de acordo firmado em setembro de 2025, o curso integra o projeto Parceiro da Segurança e é voltado a profissionais de diversos setores e cidadãos interessados.
Parcerias com o setor privado também têm se destacado, como o acordo entre o GDF e o ParkShopping para fortalecer políticas de prevenção à violência de gênero. Além disso, os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) promovem palestras em regiões do DF, descentralizando o debate e ampliando as ações preventivas. Até agora, 1.500 pessoas participaram dos eventos.
Outro destaque é o curso Ressignificar: Proteção Integral às Mulheres, voltado para a formação das forças de segurança pública e administração penitenciária. Desde 2024, o curso certificou 37.581 participantes, sendo 19.528 na primeira fase e 18.053 na segunda.
A SSP-DF lançou o Banco de Talentos Delas em março para mapear e destacar competências femininas no sistema de segurança pública. Voltado a servidoras da SSP-DF, PMDF, PCDF, CBMDF e Detran-DF interessadas em chefia e gestão, o cadastro apoia ações como desenvolvimento profissional, divulgação de oportunidades e fortalecimento do networking institucional.
Com medidas estruturantes como o Conselho das Mulheres da Segurança Pública (CMSP), criado pelo Decreto nº 45.414/2024, a iniciativa promove igualdade de gênero e combate à discriminação nas instituições. Regilene Siqueira, presidente do conselho e subsecretária de Prevenção à Criminalidade, enfatiza que proteger mulheres envolve criar instituições representativas e acolhedoras, ampliando a liderança feminina e qualificando a resposta do Estado.
A Medalha Mulher Mais Segura também foi instituída para reconhecer ações eficazes contra a violência de gênero, sendo entregue dia 10. Segundo Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública, é crucial valorizar esforços que garantam segurança e bem-estar às mulheres e incentivem novas estratégias contra crimes de gênero.
Além disso, a SSP-DF investe em educação preventiva. O Programa Formativo de Promotores de Segurança Cidadã estimula respeito e cidadania entre estudantes do ensino médio, tendo impactado 1.700 alunos em 2025 e com planos de expansão em 2026. Para crianças, o Turminha Mais Segura utiliza teatro lúdico abordando temas de respeito e prevenção à violência, atingindo 3.264 crianças em 2025, com previsão de dobrar o alcance no próximo ano.
O Programa de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid), desenvolvido pela Polícia Militar do Distrito Federal, destaca-se como um dos pilares fundamentais de suas ações preventivas. Este programa concentra-se no acompanhamento de mulheres em situação de violência e na prevenção de novos casos, buscando romper o ciclo de agressão e fortalecer a segurança das vítimas.
De janeiro de 2025 até o momento, o Provid já prestou assistência a 2.625 pessoas, realizando um total de 27.733 visitas solidárias. Durante o mesmo período, foram monitoradas 977 medidas protetivas, evidenciando o compromisso com o acompanhamento constante e a rápida resposta frente aos casos registrados.
O Distrito Federal também dispõe de uma infraestrutura especializada para atender vítimas de violência, incluindo as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher I (Deam I) e II (Deam II), ambas operando 24 horas por dia, além das seções dedicadas ao atendimento à mulher nas delegacias circunscricionais. Outro recurso disponível na região é a Maria da Penha Online, uma ferramenta inovadora pioneira no Brasil, que ampliou o acesso das vítimas ao sistema de proteção.
Por meio dessa plataforma digital, as vítimas podem solicitar medidas protetivas de urgência, preencher questionários para avaliação de risco, formalizar denúncias contra os agressores, solicitar acolhimento em Casas Abrigo, autorizar intimações por via tecnológica e anexar documentos, vídeos e imagens para auxiliar no processo.
Informações fornecidas pela SSP-DF
Texto elaborado pela redação do Portal de Notícias Ritmo Cultural