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O Malvado: Horror no Natal faz slasher ruim de O Grinch | Crítica

O Malvado: Horror no Natal/Divulgação O terrível  Ursinho Pooh: Sangue e Mel  abriu as porteiras, e agora o cinema está prestes a ser inunda...

O Malvado: Horror no Natal faz slasher ruim de O Grinch | CríticaO Malvado: Horror no Natal/Divulgação

O terrível Ursinho Pooh: Sangue e Mel abriu as porteiras, e agora o cinema está prestes a ser inundado por filmes de terror trash que deturpam grandes histórias. Provando que o vindouro apocalipse é real, O Malvado: Horror no Natal — paródia sombria de O Grinch — chega para fechar o ano com mais uma dose agridoce de horror duvidoso.

Dirigido por Steven LaMorte, o filme é, na real, uma porcaria de 2022 que chega tardiamente ao Brasil pela A2 Films. Não que a espera tenha privado o público de uma grande obra: é um longa barato, amador e pouco convincente. Mas, diferente de Ursinho Pooh, aqui há algum esforço e bom humor que tornam a experiência minimamente agradável.

Baseada no livro Como o Grinch Roubou o Natal, originalmente escrito pelo Dr. Seuss em 1957, a trama imagina o que aconteceria se o amargo monstrengo verde — interpretado por David Howard Thornton, vulgo o palhaço Art, de Terrifier — decidisse se revoltar contra a Vila dos Quem após anos de exclusão, solidão e indiferença. Ah, e ele se alimenta de carne humana.

Durante uma noite de Natal, a criatura ataca e mata a mãe da garota Lucy, traumatizando a menina e dando início a uma tradição anual de matança na cidade. Décadas depois, Lucy (Krystle Martin) retorna à cidade para comprovar a existência do Grinch e impedi-lo de vez.

Mesmo sem talento ou orçamento, O Malvado tem esforço e humor [Créditos: Reprodução]
No caso, o Grinch aqui é chamado apenas de “O Malvado”, por conta de direitos autorais. Mas o filme aborda essa e outras questões com muito bom humor. Há uma piada recorrente sobre como os personagens não conseguem pronunciar “Grinch”, ou então um velho bêbado da cidade, especialista na criatura, que é um doutor chamado Zeus (John Bigham), carinhosamente apelidado de Dr. Zeus. São piadinhas fáceis, claro, mas arrancam risadas genuínas e demonstram certa autoconsciência do quão ridículo tudo é.

Essa autoconsciência é bem dosada, também. O filme não usa a premissa boba como muleta, tentando até criar uma história e personagens minimamente interessantes para tirar algo digno da situação. Não dá para dizer que dá certo, já que roteiro e direção são bastante amadores, mas é um esforço louvável.

Lucy, a protagonista, é retratada como alguém que foi taxada de louca a vida toda, o que justifica a obsessão em comprovar a existência do Grinch. Além disso, a personagem ainda tem momentos fofos com o pai, e até um romance com o detetive Burke (Chase Mullins), policial da cidade que investiga os assassinatos do monstro. Há uma vontade real de criar um mundo e interações entre os personagens. Há competência para realizar isso? Não, de nenhum dos envolvidos, mas é preciso admirar a tentativa, especialmente em um segmento do gênero que raramente se importa com isso.

Apesar da boa vontade, é difícil superar o amadorismo. A direção é péssima, sem nenhuma noção de como construir tensão ou impactar na cenas de violência, marcadas por CGI terrível. Krystle Martin, que vive a protagonista Lucy, também não segura a barra. Faz sentido, visto que ela é primariamente uma dublê, com trabalho nos bastidores de séries como American Horror Stories e The Rookie, e jogos como Call of Duty: Black Ops 4. Como atriz, é pouco convincente, e o filme não lhe dá boas cenas de ação para colocar seus talentos à prova.

É possível ver muitos dos trejeitos de Art, o Palhaço Assassino, mas o filme não explora o potencial de David Howard Thornton como poderia [Créditos: O Malvado/Divulgação]
Na real, O Malvado sequer explora as habilidade de David Howard Thornton, que foram essenciais para consagrar Terrifier como sucesso. Takes rápidos dão pouco destaque para o rosto do monstro, apesar de uma maquiagem bastante competente e do talento de Thornton para expressões faciais (já que, assim como Art, o Grinch é um papel mudo).

No fim das contas, não é muito surpreendente que O Malvado: Horror no Natal não seja bom, mas é curioso que exista uma tentativa real de fazer algo decente. Parece ter sido uma produção divertida, e fica evidente na tela que o pessoal ali está aproveitando, mas isso não se traduz em um filme de terror competente. Há bom humor e viradas meio surtadas que tornam uma boa escolha para assistir com os amigos, rindo da bobeira e da ousadia, mas não espere sair amedrontado, enojado ou mesmo minimamente impactado.

Daqui para frente, só vamos para baixo. Depois de O Grinch, o cinema receberá ainda versões de terror de Alice no País das MaravilhasCinderelaPeter Pan Bambi, além de uma continuação de Ursinho Pooh: Sangue e Mel. Haja paciência.

O Malvado: Horror no Natal já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Fonte Jovem Nerd

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